O som que fez o som do Duofel

O Som que Fez o Som foi uma série musical integrante do Álbum, site do Itaú Cultural dedicado à música. Tal série reunia indicações, feitas por diferentes artistas, de músicas que fizeram parte de suas trajetórias e foram importantes na busca pela criação de um som próprio. O Álbum saiu do ar, mas o IC decidiu retomar a série – a princípio, publicando textos que haviam sido postados no site e alimentando nosso Spotify com playlists compostas por essas indicações. O original foi ao ar em janeiro de 2014.

Fernando Melo e Luiz Bueno formam o Duofel há 35 anos. Parceira de estrada de Tetê Espíndola desde os anos 1970 e de Hermeto Pascoal nos 1990, a dupla se caracteriza por seus arranjos inovadores ao violão, viajando do rock à MPB e passando pela música eletrônica. Em 2013, lançam o álbum Pulsando MPB, em que revisitam clássicos  como “Romaria” (Renato Teixeira), “Água de Beber” (Vinicius de Moraes e Baden Powell) e “Aquarela do Brasil” (Ary Barroso).

Intimados pela equipe do Álbum, Fernando e Luiz listaram músicas de artistas e grupos, nacionais e internacionais, que, após audição, dissecam as influências que marcam o som que criam. Um mergulho que contempla o rock progressivo, a principal tatuagem do Duofel. A faixa 13 é a prova de todas essas influências.

Aproveite e salve a playlist que montamos com as dicas no Spotify.

1. Maracatu (Egberto Gismonti), por Egberto Gismonti 
Em 1978, quando viajamos pelo Nordeste brasileiro por um ano inteiro, esta música foi uma das trilhas sonoras.

2. Voo do Besouro (Nicolai Rimsky e Korsakov), por Los Indios Tabajaras
Quando pensávamos o Duofel em 1977, o LP Casually Classic, 1966, nos foi apresentado por um amigo como parâmetro de um duo de violões e essa música foi uma grande inspiração.

3. Roundabout (Jon Anderson e Steve Howe), por Yes
Yes estava entre nossas referências no rock progressivo quando nos encontramos em 1975 no Grupo Boissucanga [Fernando Melo tocando baixo elétrico e Luiz Bueno na guitarra].

4. Money (Rober Waters), por Pink Floyd
Outra referência no progressivo foi o álbum The Dark Side of the Moon. “Money” traz, além do solo arrasador de guitarra, sons de elementos não musicais.

5. Samba Triste (Baden Powell e Billy Blanco), por Baden Powell Trio
Aqui o violão com suingue criativo de Baden já nos fazia a cabeça desde muito jovens, mesmo gostando muito mais do universo pop.

6. Blue Star (Victor Young), por The Shadows
Essa é nossa lembrança da primeira fase de adolescentes, o pop instrumental invadindo as vitrolas.

7. I Want to Hold Your Hand (Lennon e McCartney), por The Beatles
Beatles entra definitivamente como um verdadeiro marco em nossa vida e essa música tem uma sonoridade muito diferente para a época, com a guitarra de 12 cordas na base.

8. Airpower (Larry Coryell and Philip Catherine), por Larry Coryell and Philip Catherine*
Quando retornamos de nossa viagem pelo Nordeste, em 1978, nós nos deparamos com o primeiro Festival de Jazz em SP e esse duo foi a referência da época, principalmente o álbum Twin Houses. Anos mais tarde, Philip Catherine declararia sua admiração pelo Duofel.

9. Marcha dos Marinheiros (Dilermando Reis), por Dilermando Reis
Quando meninos ainda, Dilermando Reis e sua “Marcha dos Marinheiros” eram referência de todos aqueles que admiravam o violão brasileiro. Ele extraí, inclusive, sons de outros instrumentos sem recursos externos.

10. Apache  (Jerry  Lordan), por The Jet Blacks
“Apache” foi a primeira música que Luiz Bueno tocou ao violão. Na verdade, iniciou-se no instrumento reconhecendo as primeiras notas da melodia nesse tema pop instrumental.

11. Firth of Fifth (Tony Banks, Phil Collins, Peter Gabriel, Steve Hackett e Mik Rutherford), por Genesis
Genesis, tal qual Pink Floyd e Yes, estava entre nossas referências de sonoridade única no rock progressivo.

12. Friends (Jimmy Page e Robert Plant), por Led Zeppelin
Led Zeppelin despertou o uso do violão no reino das guitarras com sonoridades e afinações diferentes.

13. Do Outro Lado do Oceano (Fernando Melo e Luiz Bueno), por Duofel
É a nossa música mais pedida. Foi lançada em nosso segundo álbum, Duofel  (selo Camerati, 1993), e com ela vencemos em 1994 o Prêmio Sharp de Música, hoje Prêmio da Música Brasileira. Também foi responsável por abrir as portas do difícil caminho da música instrumental, levando-nos aos Estados Unidos e à Europa.

*Esta faixa não está disponível no Spotify, por isso não compõe a playlist criada.